Arquivo de Outubro, 2010

 

Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender –
Tudo metade
De sentir e de ver…
Não digas nada
Deixa esquecer
Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada…
Mas ali fui feliz
Não digas nada.

Fernando Pessoa

 

Mesmo que nada diga.
Basta saber de ti para encontrar as palavras.
Nas metaforas que á muito me enfeitiçaram.
Que ainda hoje continuo a derramar
A maré cheira dos meus olhos
Sobre o retrato tirado num momento feliz
Mesmo que nada diga!
Guardo em mim um olhar ,um toque.
Um toque de dedos finos.
Que me encheram as mãos de palavras
Não esqueci !
Mas guardo o grito do teu silêncio
Que me é trazido pelo vento
Não esqueças !!
Talvêz amanhã volte
Nas palavras que farão teu livro, teu romance.
Faz de mim a personagem
Que eu deveria ter sido
Escolhe na suavidade das lêtras
Cada som do teu silêncio
Na escrita cobre minha alma
Cobre com sêdas bélas e simples do oriente
Afogando cada cêntimetro de mim
Não digas nada !
Apenas escreve -me
Nas palavras que te ditei
Porque nélas fui feliz
 
 
Anita de Castro

 

Quero deixar aqui registrado, minha homenagem ao poeta que, atualmente tem me inspirado com suas poesias e textos. Marcial Armando Salaverry, nascido em 11/12/1938, morador na cidade de Santos SP.

 

Marcial Salaverry, começou a escrever em 2001 depois de se aposentou, e desde então não parou mais de poetar, tem centenas de textos e poesias publicados em vários sites na internet, e três livros editados, (E) termos Namorados, Crônicas da Vida e Um Brasileiro na África.

 

 

As informações sobre Marcial Salaverry, foram retiradas de sites na internet

 

 

Como este espaço é de amigos e poetas virtuais, deixo uma poesia de autoria do meu homenageado.

 

 

AMIGOS SOMOS

 

Dentro da chamada virtualidade,

tivemos a felicidade

de nos encontrarmos, e simplesmente,

nos descobrimos amigos afinicamente…

Na verdade, o que menos interessa,

são certos detalhes,

aos quais tanta importância se dá…

Beleza? conta a da alma…

Riqueza? importa a espiritual…

Bens pessoais? importantes são

respeito e sinceridade…

Escolaridade? vale a da vida…

Através de poesias,

trocadas todos os dias,

descobrimos esta afinidade,

que mais e mais se afirma como amizade…

Assim é a virtualidade…

De viver bem sentimos necessidade…

Após um desabafo, abraçamo-nos…

Após um poema, beijamo-nos…

Preservar nosso carinho é o que queremos,

e assim, "amigos para sempre", seremos…

 

Marcial Salaverry

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Teresa Ângela

http://teresaumaeternaaprendiz.spaces.live.com/

 

 
 
 
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Lar é onde se acende o lume e se partilha mesa

e onde se dorme à noite o sono da infância.

Lar é onde se encontra a luz acesa quando se chega tarde.

Lar é onde os pequenos ruídos nos confortam:

um estalar de madeiras, um ranger dos degraus,

um sussurrar de cortinas.

Lar é onde não se discute a posição dos quadros,

como se eles ali estivessem desde o princípio dos tempos.

Lar é onde a ponta desfiada do tapete,

a mancha de humidade no tecto,

o pequeno defeito no caixilho,

são imutáveis como uma assinatura conhecida.

Lar é onde os objectos têm vida própria

e as paredes nos contam histórias.

Lar é onde cheira a bolos, a canela, a caramelo.

Lar é onde nos amam.

 

O Sétimo Véu

Rosa Lobato de Faria

 

 

No meu Lar acendi o lume da paixão…

partilhei o meu leito

Dormi a teu lado e sonhei

Deixei acesa a luz para te contemplar

E assim confortar-me com os pequenos ruídos do teu sono

Os sussurros do teu respirar

Discutindo protagonismo com o palpitar do meu coração. 

 
 

♣ Ąηηα ♣

http://pandorapt32.wordpress.com/

http://coisasdemim-anna.blogspot.com/

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Rosa Maria de Bettencourt Rodrigues Lobato de Faria

(20 de Abril de 19322 de Fevereiro de 2010)

 Poetisa, romancista, argumentista, cronista e actriz de teatro, cinema e televisão, sendo igualmente autora de letras de canções e fados.

Começou a escrever poesia aos seis anos de idade. Letras de sua autoria foram premiadas, por quatro vezes, em festivais da canção. Tem, ainda, duas representações no Festival OTI e no Festival das Sociedades de Autores de Salónica. Obteve também um prémio da «Grande Marcha Popular de Lisboa».
Rosa Lobato de Faria, senhora de uma personalidade bastante forte, impunha-se pelo seu porte distintíssimo e pelo espírito perfeccionista que punha em todos os seus trabalhos, era uma das escritoras e actrizes que será sempre lembrada pelos seus papéis em novelas e por ter escrito letras de músicas para vários cantores.
Filha de um oficial da Marinha, Rosa Lobato de Faria cresceu entre Lisboa e Alpalhão, no Alentejo.