Arquivo de Setembro, 2010

 

Fernando António Nogueira Pessoa

13 de Junho de 1888 a 30 de Novembro de 1935

Conhecido como Fernando Pessoa, poeta e escritor português

*****

“Ao longo da vida trabalhou em várias firmas como correspondente comercial. Foi também empresário, editor, crítico literário, activista político, tradutor, jornalista, inventor, publicitário e publicista, ao mesmo tempo que produzia a sua obra literária Como poeta, desdobrou-se em múltiplas personalidades conhecidas como heterónimos objecto da maior parte dos estudos sobre sua vida e sua obra. Centro irradiador da heteronímia, auto-denominou-se um "drama em gente.

Fernando Pessoa morreu de cirrose hepática aos 47 anos, na cidade onde nasceu. Sua última frase foi escrita em Inglês: "I know not what tomorrow will bring… " ("Não sei o que o amanhã trará")”.

(Fonte: Wikipedia)

 

Sem dúvida alguma que esta sua última frase é de todo acertada…por isso digo imensas vezes que temos que Viver intensamente todos os dias…

Deixem-me dizer que adoro este autor, pela sua genialidade da escrita e pela sua imensa capacidade de criar os seus heterónimos com tanta Vida e com “personalidades” todas elas tão distintas… que posso estar enganada…mas acredito que todos eles eram um bocadinho do Real Fernando Pessoa…

Falando de Pessoa não me atrevo sequer a tentar escrever eu própria….ele é grandioso demais…Assim para homenageá-lo e porque este Espaço é também de amizade… resolvi escolher um poema de Fernando Pessoa que adoro

 

Quero ser teu amigo

Nem demais e nem de menos

Nem tão longe e nem tão perto

Na medida mais precisa que eu puder

Mas amar-te como próximo, sem medida,

E ficar em tua vida

Da maneira mais discreta que eu souber

Sem tirar-te a liberdade

Sem jamais te sufocar

Sem forçar a tua vontade

Sem falar quando for a hora de calar

E sem calar quando for a hora de falar

Nem ausente nem presente por demais,

Simplesmente calmamente, ser-te paz!

É bonito ser amigo,

Mas confesso,

É tão difícil aprender,

Por isso, eu te peço paciência

Vou encher este teu rosto

De alegrias, lembranças!

Dê-me tempo

De acertar nossas distâncias!!!

 

 
Fotografia: Alexandra Ribeiro

 

 

 

Algumas, belas frases, de Pessoa que me fazem pensar:

 

“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”

“O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente”

 “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."

“Eu sou aquilo que perdi”

Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo."

 

 

Alexandra Ribeiro

http://alexandraribeiro.spaces.live.com/

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José Saramago nasceu na Azinhaga da Golegã a  16 de Novembro de 1922, escritor, argumentista, jornalista, dramaturgo, contista ,romancista e poeta! foi prémio Nobel da literatura em1998, tendo ganho também o prémio Camões o mais importante prémio literário da língua portuguesa, foi José Saramago um homem de grande craveira  intelectual, e sobretudo polémico sendo apelidado de ateu pelos seus detractores que não lhe perdoaram alguns livros polémicos como Abel e Caim! no entanto a faceta que mais me fascinou foi a sua faceta comunista reportado num livro belíssimo Levantado do Chão publicado em 1980 e que muitos consideram um romance fundamental tendo ganho o prémio cidade de Lisboa.

 

 

HOMENAGEM A JOSE SARAMAGO

 

Sabes o que é um comunista de verdade?

 Não sabes, porque o fascismo
 Que lhe tem enorme aversão!

Diz-te que um comunista!

É um monstro e um ladrão!

 Que mata os velhinhos!

Dando-lhe uma injecção

 Que come as criancinhas!

 Á hora da refeição!

E tu acreditaste!

Continuas a acreditar

 Que um comunista!

Não gosta de trabalhar!

Que é um parasita!

 Que só deseja mandar!

 Capaz de queimar Jesus Cristo!

No seu próprio altar!

 E outros mais disparates!

Em que sempre acreditaste,

Pois então fica sabendo!

Que um comunista!

Conheceu o sofrimento!

E já conheceu a morte!

 Dentro e fora das prisões!

 Sem vacilar um momento!

 Nas suas convicções!

Ele faz parte Duma sólida união!

Vendo em cada camarada!

Um amigo e um irmão!

Pronto a dar por ele a vida!

Em qualquer ocasião!

Num comunista há bondade!

 Há amor pelo semelhante!

Por isso vive a lutar!

 Toda a hora e todo o instante!

 Defendendo os que trabalham!

Da vil exploração!

Para que os pobres tenham lar!

E nesse lar haja pão!

O direito ao trabalho!

 Á assistência!

 Educação!

 Por isso, quem é egoísta!

Odeia o comunista!

E aqui está a razão!

Tão simples tão transparente!

Porque um pobre comunista!

Mete medo a certa gente!

 

Vitoriogil

 

http://vitoriogil.spaces.live.com/

 

 

Não quero ser o ultimo a comer-te

Se em tempo não ousei, agora é tarde,

Nem sopra a flama antiga nem beber-te

aplacaria sede que não arde

 

Em minha boca seca de querer-te

de desejar-te tanto e sem alarde,

fome que não sofria padecer-te

assim pasto de tantos

e eu covarde

 

a esperar que limpasses toda a gala

que por teu corpo e alma ainda resvala

e chegasses, intacta, renascida,

para eu travar comigo a luta extrema

que fizesses de toda a nossa vida

um chamejante, universal poema

 

Carlos Drummond de Andrade

 \\

Angelina Andrade responde

 

Que me importa de ser a ultima a comer-te

de em teu corpo aplacar a minha fome

Se tenho ainda mais sede de beber-te

e incendiar-me no fogo que nos consome

 

Não te acovardes de querer-me com verdade

Com esse corpo, já por mim enlouquecido

Se igual à tua é a minha vontade

de um prazer por ambos apetecido

 

E sem luta, mas com vontade merecida

neste corpo que apetece, agora ao teu

Sem gala e renascida nesta pena

no desejo feito corpo de um poema.

 

Angelina Andrade

http://angelinaandrade.spaces.live.com/

 
 
 

Não vou aqui prestar homenagem ao meu poeta preferido,

não porque não os tenha mas porque são vários.

Vou sim prestar homenagem ao poeta da minha cidade,

 

  José Régio

Não sendo natural de Portalegre, foi nesta cidade que viveu grande parte da sumuseu com o seu nome.

 

Quando eu nasci

 

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais…
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém…

P’ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe…

 

José Régio

 

Quando nasce um poeta

 

Quando nasce um poeta

Uma nova luz se acende

Um sentir que transcende

A alma do simples mortal

 

O poeta imortaliza os sentimentos

Reveste-os de um encanto especial

Tantas vezes canta a dor

A amargura  e o desalento

Sempre com a esperança

De quem vive para o amor

E nos seus sonhos alcança

A paz no coração

 

Momentos em que descansa

Da inquietude de alma

Que vive a toda hora

No desejo incontido

De querer mudar o mundo

Sonho que embora saiba perdido

Não deixa de guardar

Como seu sentir mais profundo

 

Por isso não digas, poeta

Que o mundo te é indiferente

Sem a tua luz

Que seria da alma da gente?!

 

Liz

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