Arquivo de Abril, 2010

PAUSA

Posted: 26/04/2010 in Sem categoria
 
 
 
 
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Porque me olhas assim
 
 
Porque me olhas assim
Quero saber  o que pensas
Porque me olhas e nada me dizes .
Observo a emencidão de seu olhar.
Com paciência e resignação
Nossos olhos se encontravam presos no fundo do olhar um do outro.
Sua voz se solta
Porque me rondas assim!!
……..
Não ,não fales
Deixa  me que te olhe,não digas nada!! 
Deixa que eu te olhe profundamente
Avisto
Em teu olhar
Uma imensidão de sentidos
Onde  certamente gostariamos de nos perder e viajar com eles.
Para onde !!!
Só o  destino poderia nos dizer
Estes sentidos que  levaram
A querer  sentir e acariciar
E que o vento teimou em levar
 
Porque me olhas e me rondas  assim
 
 
Anita de Castro & J. Rodrigues
 
Foto:  Romulo Lubachesky – Olhares.com
 
 

 

 

 

Mero acaso

 

 

Estendo o meu corpo
Neste leito de águas paradas
E Cuidadosamente m’ entrego
Nesta viagem rio abaixo
Mas há um momento parado
Na curva do meu olhar
 
E eu…
 
Se me dispusesse a ir rio acima
Seria num dia bom
Desafiando a corrente
Lenta e suavemente…
Mas, continuo esta viagem
E livremente doo-me
Às correntes imaginárias
Que s’ encaminham para ti
 
Mas é nas funduras
Deste leito morno
Que encontro as águas
Onde gosto de navegar
E há uma cidade
Que me contempla
Banhada em margens de silêncio
Vozes que se calam
Debaixo deste céu
Pincelado de línguas de fogo
 
E eu…
 
Fico vigilante de outras marés
Que s’ encontram já
No fundo dos mares
E há afluentes que me abraçam
E momentos que me perseguem
Mas é na unicidade das coisas
Que se aglutinam
Serena e calma(mente)
Mundos continuados
 
 E sou brisa e ventania
Numa corrente em sobressaltos
Descida vertiginosa
Nas encostas das serranias
E sou sombra, luz desfocada
Nas águas da minha memória
Música, bailado, corpo ondulante
Nas saudades do futuro
E nas lembranças da minha historia.
 
E eu…
 
Sou um mero instante
Em águas profundas
Remoinhos de vento
Em efémeros momentos
Que se ramificam
E se cristalizam em nós
Num encontro, rio abaixo, rio acima
Nas correntes em desalinho
E nos gestos a dormência
De um único destino
 
Mas são estes silêncios
Cuidados nas distantes
Navegando em rios paralelos
Que se descobrem as palavras
E os rios desta vida
Num encontro uno
Da nascente até a foz.

 

 

São Gonçalves & Matilde D’Ônix

 

    Foto: bruno . Olhares.com

 

 
 
 
Estado de Alma
 

 
Falaste-me num estado de alma

Falas-te em solidão.
Uma conversa vulgar, um momento sem enquadramento,
Sem pretensões em que se fala de nós mesmos,
Sem querer saber se os ouvintes estão interessados no diálogo.

– Sinto-me inútil, subestimada….sinto-me só!

O desabafo atingiu-me como um flash agressivo.
Não podias ver a minha expressão, fixei o vazio sem qualquer pensamento!

– Sinto-me só…
O som repetia-se em mim…pouco te disse.
Podia ter falado que esse sentimento está em mim,
Gritante como o grito das gaivotas ao planarem sobre o mar…

Lá sabes como engulo a vontade de começar qualquer discussão sem sentido,
Dizer que sou subestimada, incompreendida.
Gritar como são hipócritas as afirmações racionais dos outros,
Desmascarar os semblantes compostos de fazer de conta…

Patético este anfiteatro da vida!

Sinto-me só, o ser mais solitário do mundo…mas não sou!
Só me sinto só..

Imploro ás forças que se encarregam de gerir estes sentimentos,
Que não prolonguem indefinidamente o buraco negro do desalento.
 
Anatomiadoreal

 

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Foto: Victor Melo – Olhares.com

 

 O tema para discusão esta semana é:

 …"aumentar o nosso conhecimentoé libertarmo-nos dos grilhões que nos escravizam??"