Arquivo de Março, 2010

 
 
Evasão… 

 

Quero

Ornar- me d’ aparências

Alimentar-me de esperanças erradas

Forçar o raciocínio

Abandonar-me  a evocações vãs…

Quero

Fugir das frases feitas

Das ideias pré concebidas

Do sim… Do não…. Do talvez…

 Sim

Quero

Embalar-me de ilusões

Seduzir o meu espírito

Em vez de viver na ausência de paixão…

 Adornar de estrelas todos os corações

 Escorrer da  minha alma o engano e a solidão…
 
Ao porquê, não procurar razão
 

Esquecer o tempo

Omitir o desfecho de cada momento …

Quero

Calar as palavras

Ouvir o silêncio

 Não chorar as ilusões perdidas

Substituídas

Por uma realidade sem piedade.

 

©Moi-Même & Alma

Anúncios

 

 

(In-completa)

 

 

Serena,

a madrugada veste, lentamente,

a tímida luz cinza do dia,

salpico de existência trágica, e desalento…

 

…ave sem adorno e revolta,

espairece, a conformada natureza…

 

Eu,

olhos de olhar a memória,

ao entalhe perfeito, moldado a pensamentos,

suspiro a manhã, dentro do peito atordoada,

desperto o sentir, ao sentido mágico, da plena existência…

 

Trago um rumor breve na voz, uma prece,

como um palrear de seres em desabrigo,

que rebuscam no ar do som, uma terna carícia de brisa…

 

Busco-te, suavemente desenhado,

por entre a minha pele,

e a sombra fugaz, do teu semblante imaginado,

tento resistir, aos traços pelo tempo apagados,

á mágoa que me sulca a visão, na tua ausência turva, em mim rabiscada…

 

Tu,

és como tacto, sem mãos e dedos,

calvário de presença nula,

voz sem ruído,

massacre absurdo, em batalhas vãs…

 

…e eu,

no teu silêncio sou,

consciência activa, certeza vasta e tranquila,

de que apesar de tudo, eu amo…

 

 

Teresa Da Silva

 

http://profeciasteresajmsilva.spaces.live.com/

 

 

Imagem: Retrato sem pele – óleo sobre tela-2010-Teresa Da Silva

 

Tema proposto para reflexão durante esta semana:

 

Equilíbrio Mente/Corpo

 

 

 

Pelas mãos dos poetas

 

 

Vagueando neste mundo…

E no mistério da vida

Cruzam-se no silencio profundo.

 

No abismo lateral

Verso do parceiro

Que fala sem nada dizer.

 

 

Sempre a viver na solidão

No êxtase do tempo…

Seus suspiros são nulos

Do passado ao presente.

 

 Mas no coração latente,

Larvas do mal vertente

Pelos relógios contados

Ampulheta que corre.

 

 

Entro no vosso silêncio

Para podê-las conduzir…

Para a missão solene

Para se conseguirem redimir.

 

 Eu saio para o jardim

Ver o sol ou tomar com a lua um sonífero

Dormiremos e contaremos como foi! 

 

Ó almas solitárias

Que tão longe estão…

Alugo a alma do poeta,

             Que desliza o lápis na mão.             

 

O poeta,

Contará como o amor se foi?

Qual destino tomou?

Ou ébrio como eu,

Desviará os olhares

Para onde ele se perdeu?

 

 

Éis guerra de versos

Para quem te sabe compor.

Nesta vida se morre

De alma solitária e sem amor.

 

Ou se passa a vida cantando

 O amor que se foi,

O amor que chegou,

Ou o  amor que a outro amor  amou.

 

É preciso descobrir

O desalento que vos perturba neste mundo…

Continuam sempre ser almas solitárias,

Cada ser que se cruza no silencio profundo.

 

Alma solitária e dolorida

Que todo o dia abre a ferida

Do amor  que  não tem amor,

Ou do amor que espera o amor.

 

 

Elsa Nunes

 &

Denise Figueiredo

 

||

 

Fotografia:  Helena Margarida Pires de Sousa – Olhares.com

 

 
 

 

Caminhando lado a lado

 

Eu Alma iluminada

Eu Deusa encantada

Caminhamos juntas no destino

Que o acaso uniu

Entre o divino e o profano

Vamos traçando o caminho

Que o nosso coração sentiu

Quer lúcido quer insano

Como espíritos à deriva

Nos labirintos do amor

Nem sempre bálsamo

Nem sempre dor

Viagens por planícies em flor

De mãos dadas em entrega

Aos sonhos e ás emoções

E nos desígnios dos corações

Somos únicas em dádiva

Intensas no existir

Não nos prendemos a convicções

Importa-nos é sentir

A vida a pulsar

O amor a florir!

 

Nefertiti & Alma