Arquivo de Maio, 2009

 

 

 
 

 

Teu cheiro
Sacio a minha sede em ti
Inebriando-me
Do teu cheiro.

Respiro-o
Como quem precisa de ar
E do teu cheiro

Mergulho
Como na água fresca em dia de verão
No teu cheiro

Alimento-me
E fico faminta de desejo
Do teu cheiro

Divago e deliro,
Febril,
Em teu cheiro

Adormeço com a felicidade
renascida
No teu cheiro

Acordo e o meu corpo
Floresce de desejo
Do teu cheiro

Sinto no teu cheiro
O conforto dos velhos livros,
Do couro antigo,
Da madeira encerada,
Do calor de um raio de sol

Ah…! Teu cheiro não é qualquer um…
É o cheiro do homem amado…!

 

Dia Perfeito

http://cid-667bbac035525fda.spaces.live.com/

Foto: José Manuel Barbosa

Para esta semana o tema proposto é:

" De quantas maneiras pode um coração ser mutilado e esperar-se que continue a bater? "

Anúncios
 
 
 

       [in] submissa gramática

 

 

gostava de te poder regressar

e dar-te a pálpebra ontológica nesta gramática de domingo.

pode ser a um qualquer dia

pode ser um dia qualquer

acertado na argila substantiva do sol.

___ afinal há páginas que se repetem

quando o sono tarda

e a insónia acorre ao lençol vazio das palavras.

por isso

deixo este nostálgico consentimento

cair-me sobre os ombros

quando te sei de olhos cansados

e mãos vazias do agora

com um luto escrito de avessos que não sabes ordenar.

embora longe de ti

sob este sol abandonado de veleiros

gostava de te regressar

na aresta arredondada dos silêncios sem medo

numa avenida da Barra ou Costa Nova

na clandestina noite de uma lua na ria

resumo do retrato antigo

que guarda a bússola das viagens

e as linhas do teu rosto inocente de vendavais

antes do inverno que engoliste em descuido.

            …

 

gostava de te regressar …

pode ser ao domingo

pode ser a um dia qualquer.

apesar da distancia dos teus ombros

apesar das equações

apesar dos sulcos que repetem os caminhos da chuva.

 

Lua

http://luadeagosto8.spaces.live.com/

 

Foto: António Carreteiro – Olhares.com

 

O tema proposto pelo Poeta da Semana é:

 

Velhice: O direito ao afecto e dignidade

 Tratamos bem os nossos idosos?

 

 
 

 

QUERO SER EU

Quero ser eu
árvore que ainda não cresceu
Fruto que ninguém comeu
Tristeza que a ninguém desceu

 

Sou sopro do vento
Sou espuma na onda a desenhar carícias
Onda a embalar desejos
delírios e sonhos

Sou lágrima a fazer-se gota
Gota a fazer-se mar
a navegar
a desembocar
no areal ardente

 

Sou vida
em compasso certo
lesto
para ser vivida

Busco amores sem tempos
e nem contratempos

 

Sou amor
Sou poesia
Sou tudo
e sou nada

Quero ser eu
árvore que ainda não cresceu

Maria Ramos

http://mariarso10.spaces.live.com/

Fotografia: Graça Loureiro – Olhares.com

Tema proposto para reflexão durante esta semana:

 O impacto da poesia na juventude actual.

Primeiro de Abril

 

Devia ser o primeiro de Abril

Quando disseste que me amavas

E pelos meus beijos ansiavas

Desfolhando-te, em folhas mil…

Quando dizias que me querias

Me adoravas e, com louca paixão,

Me enlaçavas e com sofreguidão

Intensamente me possuías.

Feliz e delirante, acreditei.

Despedi-me e acenando a mão

Disse, enfim, adeus à solidão

E no teu navio embarquei.

Mas não foi fácil a viagem…

Ondas de suspeitas e de temor

Minaram e destruíram o amor

Transformando-o em miragem!

E sobrou esta incerteza vil:

Seria verdade? Seria mentira?

Esta dúvida ninguém me tira!

Devia ser o primeiro de Abril.

 

Bezungão

 

http://cid-1e450141888b4a53.spaces.live.com/

 

Fotografia: Vitor Bastos – Olhares.com 

 

 

Tema proposto para reflexão durante esta semana:

 

Amizade,  seus conceitos  e valores

 

 
 
 
Canção do Vento 
 
Não colho canção cantada
por boca de qualquer um;
mas escuto voz suspensa
  em cada passo de aragem
  e em cada volta do vento.
 
 
 
        Da tessitura de tudo
          guardo apenas a mensagem
             retida em gotas de sumo
             destilando validade.
 
 
 
               De humano não guardo nada
         que me tenha perturbado
           pois toda a idéia é desfeita
            na frase que já vem pronta
         por si mesmo violentada
          em grito raro de espanto.
 
 
 
                                    
               A canção que vem do vento
     é pura, nova, perfeita;
       e cada folha que tange
           escorre som permanente
                 de sangue correndo o centro
            em contínua continuança.
 
 
 
     Celina Bittencourt.
            do livro "CADA TEMPO UM SENTIMENTO"
 
 
 
Foto: Marcelo Hoffmann – Olhares.com
 
 
 
 
O tema para esta semana, como não podia deixar de ser é:
 
A maternidade